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Um fazendeiro do sul do Pará conversava com um fazendeiro do Maranhão: “Qual o tamanho de sua fazenda” – perguntou o paraense. “Ah, é bem grande” – disse o maranhense – “mais de dez mil hectares”. Para não ficar por baixo, o fazendeiro paraense replicou: “Vou te contar uma coisa, meu amigo, se eu pegar a minha caminhonete ao nascer do sol e seguir rumo ao oeste, no pôr do sol ainda estarei dirigindo nas minhas terras”. O fazendeiro maranhense pensou um pouco, sorriu e disse: “Sabe, amigo, uma vez eu tive uma caminhonete lenta como essa.”

Sorrisos à parte, o que faltou a ambos foi um pouco de humildade. O caso é que muitos entendem o conceito de humildade como uma fraqueza, quando na verdade é uma das maiores virtudes. Tanto que a Bíblia preceitua: “Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos” (Provérbios 16.19). E também: “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra” (Provérbios 29.23).

Ora, que valor tem a humildade num mundo de soberbos? A Bíblia responde: “O prêmio da humildade e o temor do Senhor são riquezas, e honra, e vida” (Provérbios 22.4). E também: “A humildade precede a honra” (Provérbios 15.33).

Lembro-me da fábula do sapo que morreu de soberba. O sapo estava pensando em como poderia fugir do clima frio do inverno. Alguns gansos selvagens sugeriram que ele migrasse com eles. Mas o sapo sabia que não podia voar. “Eu tenho um cérebro brilhante”, disse o sapo, “deixe comigo”. Depois de pensar um pouco, pediu que os dois gansos o ajudassem. O plano consistia em dois gansos segurarem um em cada ponta de um forte caniço, enquanto o sapo se segurava com a boca no meio do caniço.

E assim a viagem começou. Quando passavam sobre uma pequena cidade, os moradores saíram para ver aquela cena estranha. Alguns gritaram: “Quem poderia bolar algo tão genial?” O sapo foi se inchando de orgulho, se achando importante. E, de tão inchado, não resistiu e exclamou: “Eu bolei tudo!”

Seu orgulho foi a sua própria ruína, pois no momento em que abriu a boca, se soltou do caniço e estatelou-se no chão, morto.

Moral da história: “A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito, a queda”. “Seja outro o que te louve, e não a tua boca” (Provérbios 16.18; 27.2).

A singeleza dessa fábula serve para lembrar que a humildade, longe de ser uma fraqueza, é um artigo benéfico e extremamente necessário à vida. É coisa para gente forte, não para fracos, porque exige autocontrole, moderação, autoconhecimento, enfim, tudo que os fracos não têm. Desse modo, melhor é ser humilde e receber o justo reconhecimento dos outros, quando isso for oportuno, do que viver a tolice de vangloriar-se e assistir à própria queda.

Temos assistido constantemente a exemplos de soberba de líderes se vangloriando de seus feitos. O dono do navio Titanic afirmou soberbamente: “Nem Deus afundaria esse navio”. É atribuída a Tancredo Neves a seguinte afirmação: “Nem Deus me impedirá de assumir a Presidência”. Os resultados todos nós sabemos.

Quem não se lembra da soberba de um deputado, que apareceu na televisão em horário nobre, a bater no próprio peito e exclamar: “Eu sou invencível!”? Pouco tempo depois, preso e humilhado, ele caiu na insignificância e nada mais disse.

“Nunca antes na história deste país” não foi somente a frase mais repetida de certo líder político, mas também se constituiu no emblema maior de seu ufanismo e soberba. Porém, a boa notícia é que, enquanto se está vivo, é tempo ainda de humilhar-se, antes que a ruína bata à porta e a queda aconteça.

É bom que nos lembremos de que o Senhor coroa a humildade com as suas bênçãos. Todos somos sujeitos a certa medida de orgulho, principalmente quando tudo vai bem e nos sentimos autossuficientes. Alguns, quando recebem uma bênção, podem achar que é porque merecem. Mas tudo isso é apenas orgulho tolo.

A pessoa humilde, ao contrário, reconhece que “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tiago 1.17). E também: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (João 3.27).

Conta-se a história de um milionário que foi a um banquete e sentou-se perto de um grupo de pessoas que conversavam sobre oração. Ele declarou: “Oração pode ser boa para vocês, mas eu não preciso orar. Trabalhei duro para obter tudo o que tenho. Não pedi nada para Deus!”

Um professor replicou: “Existe uma coisa que o senhor não possui e poderia pedir a Deus”. “O que seria isto?” – perguntou o milionário. O professor respondeu: “O senhor poderia orar por humildade”.

É bom lembrar o conselho do sábio Salomão: “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, e diante da honra vai a humildade” (Provérbios 18.12). E também atentar ao que disse Jesus: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5.3).

Entre a humildade e a soberba, que caminho você escolherá?

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