Pessach: a festa da libertação

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Seguindo as tradições de seu calendário, a comunidade judaica festeja durante oito dias o Pessach – a Páscoa judaica. Em 2006, as comemorações vão de 12 a 19 de abril. Mas qual a diferença entre a calebração cristã e a dos judeus? Enquanto os cristãos exaltam a ressurreição de Cristo, os judeus relembram um importante momento de transição vivido pelo seu povo há mais de 3 mil anos e recontado a cada nova geração.

“O Pessach é a festa da liberdade, tempo de comemorar o êxodo do Egito e a redenção de um povo que viveu em regime de escravidão”, explica o rabino Eddy Khafif. Ele esclarece ainda que a celebração não consiste apenas em relembrar o passado, mas também em fazer sentir no presente os ensinamentos deixados pelos antigos.

Repleta de simbolismos, a festa judaica revive a história do profeta Moisés, que, segundo a tradição, dividiu as águas do Mar Vermelho e levou seu povo do Egito para a chamada “terra prometida”. Entre as famílias judaicas, é habitual começar a estudar as leis do Pessach trinta dias antes do início da festa. “Em hebraico, Egito também pode significar limite. Uma das mensagens que a Páscoa deixa para os judeus é a da superação de limites”, conclui Khafif.

Máquina do tempo
A história conta que na época do patriarca Avraham (Abraão), que vivia na região da Mesopotâmia, Deus lhe prometeu um herdeiro, cujas sementes seriam numerosas. Seguindo em busca de uma terra que abrigasse seu povo, Avraham também sabia que seus descendentes sofreriam como escravos por 400 anos, até que fossem libertados.

O primeiro dos descendentes de Avraham a chegar ao Egito foi seu bisneto Yossef (José). A chegada dele e de sua família a essas terras foi considerada uma marcha triunfal. E assim também aconteceu na partida de seus filhos, cerca de 210 anos depois, no momento que ficou marcado na história como o êxodo do Egito. A diferença era que a pequena família de 70 pessoas havia se tornado uma nação grandiosa e unificada.

Enquanto estava nas terras do faraó, o povo judeu sofreu com a escravidão. Moisés, tido como emissário de Deus, advertiu o chefe dos egípicios e rogou-lhe dez pragas como castigo pelo abuso de poder. Uma delas foi a morte dos primogênitos egípcios, estopim para que o povo judeu fugisse daquele território.

A festa
O Seder marca o início do Pessach. É uma cerimônia singular que reúne, de forma dinâmica e expressiva, rituais religiosos e uma ceia festiva. A palavra seder significa “ordem” e, de fato, segundo as tradições judaicas, a cerimônia segue uma ordem pré-estabelecida. Toda seqüência de rituais está contida no Hagadá, livro que conta a história do êxodo. Cada membro da família deve ter um exemplar para que possa acompanhar o desenrolar do relato histórico e envolver-se ativamente em todos os passos da celebração.

“Eu oro em hebraico para os membros da minha família todos os anos”, conta Isac Trejgier, 72. O patriarca se orgulha em manter as tradições e transmití-las para as novas gerações de sua família. Eliane Trejgier, filha de Isac, completa: “Estudei em colégio judaico durante 14 anos. Desde pequena aprendi a guardar as tradições. Para mim, a Páscoa significa isso: preservar nossos costumes e a fraternidade entre os povos”.

O objetivo da cerimônia é fazer com que cada judeu recrie a experiência dos seus antepassados na noite em que partiram do Egito. Todos os rituais e comidas simbólicas do Seder têm como intenção ajudar a vivenciar o sofrimento e a redenção dos ancestrais do povo judeu.

A mesa, posta solenemente, traz no centro um castiçal com velas. O vinho de Pessach é um elemento indispensável na celebração, um símbolo de júbilo. O patriarca da família preside o Seder, sentado numa poltrona, sobre macias almofadas, símbolos do direito à liberdade e ao conforto.

A Matzá
Durante todo o período do Pessach, os judeus não podem comer nada feito com fermento. Os alimentos fermentados – chamados de chamêts – são proibidos em memória dos antigos judeus. A história conta que eles fugiram do Egito com tanta pressa que não tiveram tempo de esperar crescer o pão que os alimentaria durante toda a jornada. No lugar do trigo, da cevada, do centeio e da aveia é usada uma farinha especial feita de matzá, o pão ázimo.

Além disso, a casa deve ser limpa de todo levedo após uma busca por qualquer migalha que possa estar escondida em um canto da residência. Os chamêts encontrados não podem ser desperdiçados e são vendidos a uma pessoa não judia e readquirido após as comemorações.

 

Entenda o significado dos principais pratos e ingredientes levados à mesa na Páscoa judaica:
Charósset: mistura semelhante a uma pasta de cor terrosa; faz lembrar o barro com que eram preparados os tijolos das construções faraônicas.
Betsá: o ovo cozido significa o luto pela perda do templo e também a volubilidade da fortuna, que gira rapidamente – um consolo para os que sofrem e uma advertência aos favorecidos pela sorte.
Carpás: salsa e uma tigela com água e sal lembram as lágrimas vertidas na escravidão e as águas do mar que abriram passagem ao povo judeu.
Zêroa: asa ou pescoço de frango tostado para lembrar o cordeiro sacrificado antigamente.
Marór: a raiz forte e o salsão recordam a amargura que sofreram os antepassados durante a escravidão.
Chazéret: alface romana meticulosamente inspecionada e limpa de vermes e impurezas; utilizada como uma segunda porção de marór.

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